quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Ao L!, Hyuri fala sobre gratidão ao Sport e desejo de jogar na MLS: 'Um sonho para mim'

Foto: Reprodução Instagram @hyuri_henri


O sonho de grande parte dos jovens brasileiros é se tornar um jogador de futebol. Afinal, quem nunca teve o sonho de atuar nos grandes clubes e poder jogar bola como profissão? Muitos tentam, mas poucos conseguem viver o sonho. Hyuri, atacante com inúmeras passagens pelo futebol brasileiro, foi um deles.

Do Audax para o Botafogo, para a China, para o Atlético Mineiro, para a Ponte Preta e, enfim, para o Sport. Mesmo em tão pouco tempo, é justo afirmar que Hyuri já tem trilhou um caminho de respeito no futebol brasileiro e ganhou a admiração de diferentes torcedores.
Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o atacante falou sobre o bom ano de 2019, com a camisa do Sport sob a tutela do treinador Guto Ferreira. Hyuri, que volta de empréstimo ao Atlético Mineiro, agradeceu pela grande temporada que trilhou com a camisa Rubro-Negra.
- Acabou que eu não fui apresentado ao Atlético, mas isso não abaixou a minha cabeça. Eu aguardei e tive até a oportunidade de vestir outras camisas, mas o Sport que chegou com mais força e com um projeto muito legal, porque eu era um time que eu sabia que iria disputar o título e assim foi té o finalzinho da competição. Eu tive um ano muito legal. No Brasileiro, eu tive a paciência de esperar a oportunidade, e a partir do momento que eu entrei, eu já entrei dando resultados e pude fazer o gol da vitória contra o América. Assim, eu pude manter uma sequência, que é o que todo jogador quer.
Eu fico feliz do Guto Ferreira ter apostado em mim porque eu cheguei como um jogador que não queria usar o meu nome e os clubes que eu joguei para poder jogar. Eu queria mostrar o meu trabalho e fui assim que eu fiz, quieto e paciente. No final do campeonato, a gente teve o sucesso de terminar na segunda colocação, pude atuar em muitos jogos da competição. Acredito eu que tenha sido relevante a minha presença no grupo, sem querer ser protagonista já que a gente tinha o Guilherme e o Hernane. Eu pude ajudar de outras maneiras, que eu joguei pela minha experiência ser muito válida. Graças a deus a gente conseguiu fazer um ano muito bom -, afirmou.
A performance de Hyuri agradou tanto os torcedores da Ilha do Retiro que muitos usaram as redes sociais para pedir a permanência do atacante para a temporada de 2020, quando o clube retorna para a primeira divisão nacional. O atleta agradeceu o apoio dos torcedores fanáticos, confirmou as negociações que estão em curso para sua permanência com o Sport, mas presou que é uma situação que está além de sua vontade.
- Sobre torcedores estarem pedindo a minha volta é muito gratificante. Eu particularmente não sei o que vai acontecer, porque é uma coisa que não depende só de mim. Eu tenho contrato com o Atlético Mineiro ainda, tenho meus projetos também, e eu queria muito agradecer a torcida do Sport e aos diretores. A gente vem mantendo contato frequente para saber o que pode acontecer.
Obviamente, eu não descarto uma volta ao Sport, mas a gente tem que esperar e respeitar quem está na jogada, que é o Atlético Mineiro, tem minha família também. Eu fico muito feliz pelo o que eles estão fazendo e a gente tem que aguardar para saber o que a gente pode fazer para a temporada, até porque o Sport é uma grande equipe que vai figurar na Série A e a gente tem que olhar com muito carinho para o Sport -, revelou.
Um dos grandes problemas no futebol atual são os casos de racismo ao redor do mundo, que parecem ser cada vez mais frequentes. O atacante opinou sobre o assunto, afirmando que o esporte e as autoridades não oferecem o suporte necessário para o combate deste tipo de problema.
- Não, não oferece, até porque continua acontecendo com frequência. É uma coisa que a gente vê que está fora de controle. Eu vejo muitos atletas tentando combater, mas eu vejo que não são todas as autoridades que combatem, pois são elas que tem o poder para combater. Até mesmo na Europa, que a gente vê como um continente super organizado, que é o sonho de muita gente estar jogando, eu vejo que as autoridades poderiam ser um pouco mais firme em relação a esse assunto porque é um situação que continua acontecendo
A gente sabe quais são os países que acontecem com maior frequência, apesar que no Brasil, que é um país com muita miscigenação, ainda assim acontece. Tem alguma coisa de muito errado por trás disso. Um país como nosso não teria que ser uma coisa absolutamente normal. Então, eu acho que as autoridades poderiam tomar atitudes mais drásticas e não partir apenas dos jogadores, apesar que eu vejo que o Brasil não é um país tão patriota assim. A gente vê que algumas pessoas lutam, outras não. Se partisse das autoridades, eu acho que teriam mais efeito na sociedade -, opinou.
Ao contrário de muitos jogadores que sonham em atuar em alto nível em grandes clubes europeus, o sonho de Hyuri é outro: atuar na Major League Soccer, a liga profissional americana de futebol. O atacante se empolga ao falar da liga, que considera um pacote completo para jogadores: estilo de vida, ambiente e muito mais.
- Olha, diferente de alguns jogadores, eu acompanho sim a MLS. Os jogos que eu tenho a oportunidade de assistir, eu assisto, porque é um campeonato que me encanta muito. Eu não sei explicar tão detalhadamente, mas é um campeonato que me encanta muito. A MLS é um pacote que te oferece bons jogadores, um ambiente agradabilíssimo no estádio que não é apenas um jogo de 90 minutos e sim um evento para a família, jogadores e para quem assiste em casa. E acima de tudo, é um país que é muito receptivo ao público estrangeiro.
Eu penso muito na qualidade de vida da minha família. Hoje eu tenho um filho de 1 ano e 3 meses, então eu já não estou mais naquela ânsia de jogar pelo dinheiro, eu quero jogar onde eu possa ser feliz, onde eu possa ter uma qualidade de vida, onde eu possa ver minha família feliz. Ali é um lugar que eu já visitei outras vezes também, mas acho que pelo pacote inteiro é um sonho para mim e eu espero que em breve ele possa ser realizado -, finalizou.
Confira outras respostas da entrevista:
Início da carreira no futebol
- O trajeto inicial foi o América-RJ, um teste que eu fiz lá e jogava com o pessoal mais velho, da geração de 86, 87, 88 - eu sou de 91. No meio deles eu ainda consegui me destacar e nisso eu já fui para o Audax, para ser melhor observado digamos assim. Começou um projeto muito legal de revelar jogadores, como o César do Flamengo, o Vitinho, Rafael Donato entre outros. Eu fui um desses, graças a deus. Depois de um Campeonato Carioca bom pelo Audax, consegui despertar interesse e fui abençoado em ser chamado para ir para o Botafogo. Era um sonho de criança, era o time do meu pai e acho que a situação se encaixou da melhor forma possível. Eu pude desempenhar um bom trabalho com o Oswaldo (de Oliveira), que me deu todo o respaldo para eu ser o que eu era e conseguir desempenhar um bom trabalho.
Chegada ao Botafogo
Foi uma experiência muito diferente na minha vida. Por mais que no Audax já tivesse alguns jogadores experientes, como um que me ajudou muito que é o Léo Inácio, no Botafogo eu não tinha noção do que realmente estava acontecendo. Eu fui respaldado para tentar fazer o simples, não tentar ser melhor do que ninguém pois meu caminho estava sendo muito bem trilhado até então. Eu consegui desempenhar o meu melhor trabalho ali pela falta de pressão. O Oswaldo tirou toda a pressão de mim, o Seedorf também tirou. Ficou muito mais fácil de poder botar o meu trabalho em jogo e deu muito certo, mesclando experiência com juventude. Tinha o Vitinho, tinha o Gabriel que hoje é volante do Corinthians, o Dória também. Tinha uma galera muito boa entre experientes e jovens, e a gente conseguiu desempenhar um bom trabalho se classificando para a Libertadores.
Atuar na China
Foi uma situação muito atípica na minha carreira. Eu fui um dos primeiros a ir para a China, não sabia como era o campeonato tecnicamente, não sabia o que aquilo iria projetar para mim. Eu tive uma oportunidade de ir para o Braga de Portugal no momento, mas as cifras oferecidas era muito diferente das cifras europeias. Foi o que me chamou a atenção, além da projeção de ser um dos destaques da equipe. Eu meio que fui no escuro porque eu não conhecia o clube, a cidade, a estrutura e o campeonato, mas deu muito certo. Eu fui titular por dois anos lá, fazendo gols e também pude jogar contra excelentes jogadores como Paulinho, Robinho e Giovanni Moreno. O campeonato me surpreendeu positivamente e eu fiquei bastante feliz. Eu fui o primeiro na época, mas graças a deus deu tudo certo e eu pude desempenhar um bom trabalho. Foi uma experiência única na minha vida. Se tivesse que ir de novo, mesmo com a cabeça mais experiente que eu tenho, eu tomaria a mesma decisão.
Retorno ao Brasil e ida para o Atlético-MG
Eu lembro que no ano anterior o Atlético tinha sido vice-campeão brasileiro, então eu tive essa oportunidade de vestir a camisa do Atlético e eu me animei muito pela estrutura, time e pelo clube. Era um time que tinha muita semelhança com o Botafogo por ser um time grande por querer títulos. Isso também foi importante, o time que também consegue disputar títulos, é importante para todo jogador. Eu tive a oportunidade de trabalhar grandes jogadores, a gente fez um time muito bom, mas infelizmente a gente não conseguiu conquistar um título expressivo em 2016.
Mas fica a lembrança. Eu consegui ter uma sequência boa no primeiro semestre com o Diego Aguirre, que apostou muito em mim e gostava muito do meu trabalho durante a Libertadores e o Mineiro. No segundo semestre, com algumas mudanças, infelizmente com o Marcelo Oliveira eu tive um pouco menos de oportunidades, mas é o que é normal no Brasil, essa troca constante de treinadores. As vezes acaba atrapalhando um pouco o jogador, mas ainda assim eu mantive o meu trabalho. Infelizmente, a gente terminou o ano sem o título, mas foi um clube que me deu muito prazer de vestir a camisa, até pela massa, pelo o que o Atlético Mineiro representa no cenário nacional.

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